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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Lição 6 - Ana: A força de quem ora gera Milagres

 

        

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Introdução
Texto de Referência :

1Samuel 1:10-11,20-22  
10 - Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor e chorou abundantemente.
11 - E votou um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.
20 - E sucedeu que, passado algum tempo, Ana concebeu, e teve um filho, e chamou o seu nome Samuel, porque, dizia ela, o tenho pedido ao Senhor.
21 - E subiu aquele homem Elcana, com toda a sua casa, a sacrificar ao Senhor o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.
22 - Porém Ana não subiu, mas disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, então o levarei, para que apareça perante o Senhor e lá fique para sempre.

1 - A História de Ana    
A história bíblica de Ana é relatada no livro de 1 Samuel, capítulos 1 e 2.
A história de Ana ensina sobre fé perseverante, oração sincera e confiança em Deus mesmo em meio à dor. Ela é um exemplo de alguém que, em vez de murmurar, buscou o Senhor e viu o milagre acontecer no tempo certo.

1.1 - Ana não tinha filhos
Ana era uma das esposas de Elcana, um homem da tribo de Efraim. A outra esposa se chamava Penina, que tinha filhos, enquanto Ana era estéril, esse era o problema de Ana: ela não podia ter filhos (1Sm 1:2). Penina a provocava constantemente aumentando a sua dor (1Sm 1.6).

1.2 - Ana se humilhou diante de Deus
Mesmo vivendo essas circunstâncias adversas, Ana não perdeu a sua fé; ela orou ao Senhor com lágrimas no templo, pedindo um filho e prometendo que, se o recebesse, o dedicaria a Deus por toda a vida (1Sm 1.10-11).
A oração de Ana era diferenciada, tanto em intensidade emocional quanto em sinceridade e humilhação diante de Deus. A Bíblia destaca que ela orava com amargura de alma, mas sem perder a fé: "Levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente" (1Sm 1.10).
Eli, o sacerdote, pensou que ela estivesse embriagada, porque apenas seus lábios se moviam, sem som, um exemplo de oração íntima, feita do coração (1Sm 1.13).
Ana orava com amargura de espírito, sim, mas sua dor foi o combustível de uma oração cheia de fé, humildade e entrega. Essa combinação é o que a tornou diferenciada e eficaz diante de Deus.

1.3 - Ana fez um voto com Deus
"E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha" (1Sm 1.11).

1. O Voto de Ana nasceu da dor, mas foi movido pela fé
Ana estava em profunda tristeza, mas não usou a dor para reclamar, e sim para se aproximar de Deus.
Ela acreditava que Deus podia transformar sua esterilidade em fertilidade. 
Ensine aos alunos que a fé verdadeira não é ausência de dor, mas capacidade de crer em meio a ela.

2. O Voto foi um ato de entrega, não de barganha
Ana não negociou com Deus ("Se me deres, eu te darei"), mas expressou uma entrega sincera, o filho que tanto desejava seria inteiramente consagrado ao Senhor.
O voto foi um compromisso de consagração, não de troca.
Mostra que Deus valoriza mais a intenção do coração do que as palavras em si.

3. O voto revela uma visão espiritual sobre a maternidade
Ana não queria apenas ser mãe por status social ou pessoal.
Ela desejava um filho para que servisse a Deus.
Ensine aos alunos o valor de dedicar ao Senhor tudo o que Ele nos dá: filhos, dons, tempo, ministério, recursos ...

2 - A Oração de Ana

2.1 - Ana perseverou em oração
Mesmo sendo incompreendida por Eli (que pensou que ela estivesse embriagada), Deus ouviu o clamor silencioso de Ana, que perseverou em oração (1Sm 1.13).
Aquelas lágrimas não foram em vão, delas nasceu Samuel, um dos maiores profetas e juízes de Israel.
Deus transformou a dor em bênção e o pranto em propósito.
Esta história nos ensina que Deus usa nossas lágrimas para gerar algo novo, quando choramos aos Seus pés.
O choro diante de Deus não é sinal de fraqueza, mas de confiança. O mundo pode não entender nossas lágrimas, mas Deus as traduz como oração.
Chorar aos pés do Senhor é uma forma de adoração, pois demonstra dependência e fé.

2.2 - Ana foi grata
Ana manteve sua palavra e entregou Samuel ao Senhor quando o desmamou (1Sm 1.27-28).
Ensine aos alunos que cumprir o que prometemos a Deus é sinal de caráter, fidelidade e gratidão.

2.3 - O Choro sincero de Ana
O choro sincero de Ana é um dos momentos mais comoventes e espiritualmente profundos do Antigo Testamento. Ele revela como Deus responde a um coração quebrantado e o poder da oração feita com sinceridade e fé.
Ana não chorou apenas porque estava triste, mas porque decidiu levar sua dor a Deus.
Ana não se isolou nem murmurou, transformou o pranto em oração. O choro de Ana foi a expressão de um coração humilde, dependente e sensível à voz de Deus. Ensina que Deus não despreza lágrimas sinceras, especialmente quando brotam da fé.

3 - A Fidelidade de Ana
Falar sobre a Fidelidade de Ana é destacar uma das virtudes mais belas da vida cristã, cumprir com lealdade aquilo que prometemos a Deus, mesmo quando é difícil.
A Fidelidade de Ana é uma das marcas centrais de sua história em 1Samuel capítulo 1 e 2.

A Fidelidade de Ana gerou bênção contínua 
"E o Senhor visitou a Ana, e ela concebeu,  e teve três filhos e duas filhas" (1Sm 2.21).
Deus honrou a fidelidade de Ana com uma colheita abundante.
A fidelidade sempre gera frutos, quem é fiel no pouco, Deus confia no muito (Mt 25.21).

3.1 - Não faça voto de Tolo
"E fez um voto, dizendo: ... se me deres um filho homem, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida" (1Sm 1.11)
O voto de Ana foi sério e comprometido.
Quando o filho nasceu, ela não se esqueceu do que havia prometido, mesmo após alcançar o que desejava.
Isso mostra que a fidelidade a Deus se prova depois da bênção, não apenas no tempo da necessidade.

Quando fazemos um voto a Deus, devemos ser sinceros e responsáveis. Muitos fazem votos na dor, mas esquecem quando são abençoados. Ana fez o contrário: lembrava do compromisso e o cumpriu com alegria.

O exemplo de Ana ensina que a fidelidade nas pequenas coisas gera grandes recompensas espirituais.
Ana não perdeu com o voto, ela ganhou Samuel e depois teve outros filhos (1Sm 2.21).

"Por este menino orava eu; e o Senhor me concedeu a minha petição ... pelo que também ao Senhor eu o entreguei; por todos os dias que viver, ao Senhor será entregue" (1Sm 1.27-28).
Quando Samuel foi desmamado, Ana o levou ao templo e o entregou ao sacerdote Eli, para servir ao Senhor.
Cumprir esse voto foi um ato de fidelidade e desprendimento, ela entregou o que tinha de mais precioso.
Isso mostra que a verdadeira fidelidade é obedecer mesmo quando custo algo.

3.2 - O Legado de Ana
A história de Ana mostra como uma mulher comum, mas fiel, deixou marcas eternas através da fé, da oração e da obediência a Deus.
(a) Ana deixou o exemplo de alguém que levava tudo a Deus em oração: dor, sonhos, votos e gratidão.
(b) A vida de Ana ensina que a oração sincera tem poder para transformar o impossível.
(c) O legado de Ana é o de uma mulher que não desistiu, mas insistiu em orar até ver a resposta.
(d) Ana cumpriu o que votou a Deus, mesmo quando isso custou algo precioso: entregar o filho que tanto esperou.
(e) Sua fidelidade mostrou que os votos feitos a Deus não podem ser esquecidos, seu cumprimento é um prova prática de fé e gratidão.
(f) Mesmo após entregar Samuel, Ana não lamentou, mas louvou.
(g) Ana mostrou que amava mais o Doador do que o presente recebido.
(h) O Cântico de Maria foi prenuncio do Cântico de Maria (Lc 1.46-55).
(i) O filho que Ana entregou se tornou um dos maiores profetas e juízes de Israel, o homem que ungiu Saul e Davi.
(j) Ana não apenas gerou um filho, mas gerou um instrumento para mudar a história do povo de Deus.
(l) A história de Ana atravessa séculos e continua inspirando pessoas que enfrentam esterilidade, dor ou espera.
(m) O nome de Ana é lembrado não por riqueza ou posição, mas por sua fé, oração e fidelidade.

3.3 - O Louvor de Ana
O louvor de Ana é uma das partes mais inspiradoras da sua história e está registrado em 1 Samuel 2.1-10, conhecido como "O cântico de Ana".
Ele é uma das orações mais belas da Bíblia, e reflete gratidão e reconhecimento da soberania de Deus.

1. O Louvor de Ana nasceu de um coração agradecido
"Então orou Ana e disse: O meu coração exulta no Senhor; a minha força está exaltada no Senhor" (1Sm 2.1).
Ana havia chorado e sofrido muito, mas quando Deus respondeu sua oração, ela não se exaltou o Senhor.
Seu louvor foi espontâneo e sincero, fruto de um coração que sabia quem era o verdadeiro autor da bênção.
Ensine aos alunos que quem sabe orar na dor, sabe louvar na vitória.

2. O Louvor de Ana foi Teológico e Profundo
"Não há santo como o Senhor; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus" (1Sm 2.2).
Ana reconhece a santidade e a fidelidade de Deus.
Ana não fala apenas de si, mas exalta o caráter de Deus, um louvor que revela conhecimento espiritual.
Mostra que o verdadeiro louvor vai além da emoção, é adoração baseada em quem Deus é.

3. O Louvor de Ana revela transformação interior
Antes, Ana chorava de amargura; agora, seu coração exulta em alegria. O mesmo coração que clamava em dor agora transborda em gratidão. Quando o coração muda, o louvor muda também.

4. O Louvor de Ana reconhece a soberania de Deus
"O Senhor é o que tira a vida e dá; faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta" (1Sm 2.6-7).
Ana entende que Deus governa todas as coisas: a vida, o destino e o tempo de cada um.
Seu louvor é uma declaração de confiança na justiça e no poder de Deus.

5. O Louvor de Ana inspira outros
O cântico de Ana é tão importante que prenunciou o cântico de Maria (Lc 1.46-55).
Mostra que um louvor verdadeiro deixa legado, ele toca gerações.
Ensina aos alunos que o louvor sincero tem poder de edificar e influenciar vidas.

Aplicação Prática aos Alunos
(a) O louvor não é apenas cantar, mas reconhecer o que Deus é e o que Ele faz.
(b) Louvar após a vitória é bom, mas louvar mesmo antes dela é sinal de fé.
(c) O louvor deve ser centrado em Deus, não em nós.


Comentário 
Pr. Éder Tomé

Referências

[1] Bíblia Sagrada (ARC) – Sociedade Bíblica do Brasil - 4° edição - 2009
[2] Bíblia Sagrada King Jones – Atualizada – Fiel aos Originais
[3] Bíblia Sagrada (NTLH) - Linguagem de Hoje
[4] Revista Betel Dominical Adultos - 4T - 2025 

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Lição 5 - Rute: Lições de Lealdade, o Caminho da Redenção

    

    
        

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Nosso subsídio (comentário da lição) não é o mesmo conteúdo da revista Betel Dominical Adultos, é apenas um texto de auxílio complementar referente aos tópicos e subtópicos da lição

Introdução
Texto de Referência :

Rute 1:14-18  
14 - Então levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
15 - Pelo que disse: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após a tua cunhada.
16 - Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
17 - Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada; faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
18 - Vendo ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso.

1 - A Origem de Rute

Quem era Rute ?
Rute foi uma mulher moabita que se tornou uma das figuras mais admiráveis da Bíblia Sagrada, conhecida por sua fidelidade, fé e lealdade. A história dela está registrada no Livro de Rute, no Antigo Testamento.

Quem era os Moabitas ?
"Assim as duas filhas de Ló conceberam de seu pai. A mais velha teve um filho e pôs-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas até hoje" (Gn 19:36-37).
Podemos notar que a origem dos Moabitas foi moralmente conturbada, mas isso não foi impeditivo para que se tornasse uma nação organizada.
A terra de Moabe era uma região fértil e montanhosa, com planícies adequadas para a agricultura e criação de gado.
A relação entre Israel e Moabe foi marcada por conflitos e tensões religiosas, vejamos:
(a) Quando os israelitas saíram do Egito, os moabitas recusaram ajuda e contrataram o profeta Balaão para amaldiçoá-los (Nm 22-24).
(b) Mais tarde, mulheres moabitas seduziram os israelitas levando-os à idolatria em Baal-Peor, o que trouxe juízo divino (Nm 25).
(c) Durante o reinado de Davi e outros reis, Moabe frequentemente lutou contra Israel, ora dominando, ora sendo dominado.
Os Moabitas adoravam o deus Quemós(ou Camos), mencionado em várias passagens bíblicas: "E Salomão edificou um altar a Quemós, abominação de Moabe..." (1Rs 11.7).
Essa idolatria os distanciava de Israel, que servia ao Deus verdadeiro, YHWH (Senhor).
Podemos considerar Moabe como uma nação idólatra, perversa e arrogante (Is 16.6). Em 2 Reis 3:26-27, o rei de Moabe, Mesa, sacrificou o seu próprio filho no muro da cidade para tentar obter vitória contra Israel. Nem todos Moabitas eram cruéis, Rute era um exemplo perfeito de uma moabita bondosa e leal que mais tarde tornou-se serve temente ao Deus de Israel.
Com o passar dos séculos, Moabe foi conquistada pelos babilônicos e, posteriormente, desapareceu como nação distinta.

1.1 - Rute, a companheira
O casal israelita, Elimeleque e Noemi juntamente com seus filhos haviam se mudado para Moabe por causa de uma grande fome em Belém de Judá.
Depois de algum tempo, Elimeleque e seus dois filhos morreram, deixando Noemi e suas Noras (Rute e Orfa) viúvas.
Quando Noemi decidiu voltar a Belém, ela orientou as noras a ficarem em Moabe. Orfa obedeceu, mas Rute tomou a decisão extraordinária, preferiu abandonar sua terra, seu povo e seus deuses para acompanhar Noemi e servir ao Deus de Israel.
Sua palavras ficaram marcadas na história bíblica: "Não me instes para que te deixe, e me afaste de ti; porque aonde quer que tu fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus." (Rt 1.16).

1.2 - Uma história de Amizade
A história de Rute e Noemi vai além de uma simples Amizade, mesmo dentro de um contexto de falta de perspectiva ou garantias de futuro, nos traz lições preciosas sobre Fidelidade, Lealdade e Fé verdadeira em Deus.

1.3 - O Início da História
Conforme já vimos acima, ao tomar conhecimento que a situação de Belém de Judá havia melhorado, e o problema da fome já era uma situação do passado em Judá, Noemi decidiu voltar para sua terra, nesse contexto, Noemi teve uma atitude de grande amor, realismo e desprendimento ao oferecer a Rute e Orfa a opção de voltarem para suas famílias: "Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os falecidos e comigo" (Rt 1.8).

A Lei do Levirato
A Lei do Levirato (do hebraico yibbum, "casamento do cunhado") era uma prática prevista na Lei de Moisés para proteger o nome e a herança das famílias em Israel: "Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, a mulher do falecido não se casará fora com homem estranho; seu cunhado virá a ela, e a tomará por mulher, e exercerá o levirato" (Dt 25.5-6).
Essa Lei tinha o propósito de:
(a) Preservar o nome e a herança do falecido dentro da família
(b) Garantir sustento e descendência à viúva
(c) Evitar que a terra da família fosse perdida.

Aplicação da Lei do Levirato no caso de Noemi
Noemi não tinha mais filhos vivos (Malom e Quiliom morreram).
Ela era idosa, e não poderia gerar novos filhos para que um dia casassem com as noras. Portanto, a Lei do Levirato não podia ser cumprida. Esse foi um dos motivos de Noemi dar a opção de suas noras retornarem aos seus pais: "Tornai, minhas filhas; por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos sejam por maridos? Tornai, filhas minhas, ide-vos, porque já sou velha demais para ter marido ... ainda que dissesse: Tenho esperança ... esperáreis por eles até que viessem a ser homens?" (Rt 1.11-13).
Noemi estava afirmando que não havia mais nenhum homem na família que pudesse casar-se com Rute e Orfa, conforme a Lei do Levirato (Lei do Resgatador), portanto não havia futuro com ela, melhor recomeçar suas vidas em Moabe.
Rute não escolheu o caminho mais fácil. Ela era moabita, jovem, e poderia ter recomeçado a vida em sua terra natal. Mas, por amor à sua sogra, decidiu acompanhá-la e cuidar dela, mesmo sem nenhuma garantia de futuro: "Não me instes para que te deixe, e me afaste de ti; porque aonde quer que tu fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus." (Rt 1.16).


2 - Rute foi recompensada por sua Fidelidade
Rute não apenas escolheu seguir Noemi, ela escolheu seguir o Deus de Noemi. Isso é extraordinário, porque os moabitas eram um povo idólatra, que servia a Quemós e outros deuses pagãos. Mas Rute declarou: "O teu Deus será o meu Deus" (Rt 1.16). Ela estava abandonando os deuses de Moabe e se convertendo ao Deus verdadeiro de Israel. Sua Escolha foi, portanto, um ato de conversão e fé genuína. 

2.1 - A Bênção da Lealdade
A lealdade de Rute é um dos aspectos mais belos e marcantes da sua história. Entre tantas virtudes dessa mulher moabita, sua lealdade brilha como uma joia rara em meio à dor, à perda e à incerteza: "Rute, porém, se apegou a ela" (Rt 1.14).
Rute foi fiel quando não havia vantagem, e essa fidelidade a conduziu ao plano redentor de Deus.
Rute teve Lealdade em meio à perda, ela não foi Leal apenas a Noemi, ela foi leal também ao Deus de Noemi.
Ela abandonou sua cultura, seus deuses e sua segurança para seguir o Deus de Israel. Sua lealdade humana estava enraizada em um fé espiritual sólida.

2.2 - Rute e Orfa
Falar de Orfa é tão importante quanto falar de Rute, porque as duas enfrentaram a mesma situação, mas tomaram decisões diferentes, e isso ensina muito sobre fé, escolhas e compromisso.
A Bíblia mostra que Orfa amava Noemi, e inicialmente quis segui-la. Mas, depois que Noemi insistiu para que voltassem às suas famílias, Orfa cedeu: "Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa, beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela" (Rt 1:14)Esse versículo é muito revelador, vejamos :
Orfa beijou e partiu, um gesto de afeto, mas sem compromisso duradouro, sumiu da história.
Rute se apegou, gesto de fidelidade e perseverança.

A decisão de Orfa foi lógica e até compreensível:
(a) Ela estava voltando para sua família e sua cultura
(b) Em Moabe, teria chance de se casar novamente
(c) Não teria que enfrentar a pobreza e a rejeição em Israel
Mas, espiritualmente, ela voltava também aos deuses de Moabe, uma decisão humana, não de fé: "Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses, volta tu também após ela" (Rt 1.15).

O que aprendemos com Orfa ?
Orfa representa aqueles que têm bons sentimentos, mas não tomam decisões profundas de fé.
Ela não foi má, apenas voltou atrás diante das dificuldades.
Boas intenções não bastam, é preciso perseverar na fé até o fim.
As decisões espirituais exigem renúncia. Nem sempre o caminho mais fácil é o melhor.
Orfa escolheu a segurança do que conhecia, enquanto Rute escolher a fé no desconhecido.
Enquanto Orfa sumiu da história, Rute tornou-se ancestral de Davi e de Jesus.
Deus não condena Orfa, mas exalta a escolha de Rute, mostrando que a fé e a lealdade trazem recompensas eternas.

Aplicação Espiritual
Rute representa o coração que decide firmemente seguir a fé, mesmo sem garantias humanas.
Orfa representa muitos que:
(a) começam bem a caminhada com Deus, mas param no meio do caminho
(b) Têm afeto e simpatia pelo Evangelho, mas não se comprometem plenamente
(c) Amam, mas não se apegam; acreditam, mas não confiam até o fim.

2.3 - A Convicção de quem sabe o que quer
A motivação de Rute para não acatar o conselho de Noemi e permanecer com ela foi muito mais espiritual do que emocional.
Rute tomou uma decisão de fé, amor e aliança com Deus, não apenas por apego familiar.
Rute não pensava como uma moabita comum. Ela havia visto a fé de Noemi e de seu povo, e essa fé tinha tocado seu coração. Rute percebeu que o Deus de Israel era real e digno de confiança. Rute escolheu seguir a Deus, não apenas a sogra.
Rute havia conhecido o Deus vivo através da convivência com Noemi. Mesmo diante da dor e da perda, ela tinha a convicção que o Deus de Israel era o Deus Verdadeiro e que existia algo santo e verdadeiro na fé de sua sogra Noemi.
A convicção de Rute fez ela escolher a identidade da fé em vez da segurança da cultura.
Rute por certo não imaginava tudo o que viria depois, casar com Boaz, ser bisavó de Davi, e fazer parte da genealogia de Jesus, mas em seu coração, havia esperança de que Deus estava conduzindo sua história. 

3 - O Remidor
O Remidor (em hebraico Goel) que significa resgatador, parente redentor ou vingador de sangue tinha um papel fundamental na estrutura familiar, social e espiritual de Israel.
No Tempo de Rute, o Remidor representava justiça, proteção familiar e preservação da herança.
O Remidor era um parente próximo com responsabilidades legais e morais perante a família. O papel do Remidor aparece em várias situações da Lei de Moisés. Eis as principais:

1) Resgatar Propriedades vendidas por necessidade
Se um israelita empobrecesse e tivesse que vender suas terras, um parente próximo deveria comprá-las de volta para que a herança da família não se perdesse: "Se o teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua possessão, então virá o seu parente mais chegado, o seu remidor (goel), e resgatará o que seu irmão vendeu" (Lv 25.25). O objetivo era manter a terra dentro da família, pois a herança era sagrada, um presente de Deus a cada tribo.

2) Resgatar Pessoas vendidas como servos
Se um israelita se vendesse como escravo por causa de dívidas, um parente poderia resgatá-lo, pagando o valor devido: "Depois de haver-se vendido, poderá ser remido; um de seus irmãos o poderá remir" (Lv 25.47-49). O Remidor restaurava a liberdade e a dignidade do parente.

3) Vingar o sangue do parente morto injustamente
O Goel haddam ("vingador de sangue) podia buscar justiça por um assassinato dentro da família: "O vingador do sangue matará o homicida; encontrando-o, o matará" (Nm 35.19). Essa era uma forma de preservar a justiça e a honra familiar na ausência de um sistema policial como o moderno.

4) Casar-se com a viúva do parente falecido (Lei do Levirato)
Se um homem morresse sem deixar filhos, o parente mais próximo poderia se casar com a viúva para gerar descendência em nome do falecido: "Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, a mulher do falecido não se casará fora com homem estranho; seu cunhado virá a ela, e a tomará por mulher, e exercerá o levirato" (Dt 25.5-6).
Essa é a parte mais importante para o contexto do livro de Rute, Boaz atuou como Remidor nesse sentido.

3.1 - Boaz, o Remidor
"E Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Vós sois hoje testemunhas de que comprei da mão de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque, a Quiliom e a Malom. E também tomo por mulher a Rute, a moabita, viúva de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herança" (Rt 4.9-10).
No caso de Boaz, o papel remidor se aplicou da seguinte forma:
(1) Resgatar a propriedade de Elimeleque (marido de Noemi)
(2) Casar-se com Rute, a viúva, para preservar o nome e a herança da família.
Assim, Boaz age como o verdadeiro remidor :
(a) Redime a terra
(b) Preserva a linhagem familiar
(c) Protege as viúvas
(d) E mantém o nome de Elimeleque vivo em Israel
Boaz era um israelita rico, justo e piedoso, parente próximo de Elimeleque (marido falecido de Noemi), portanto, o remidor.

3.2 - Boaz e Rute
Ao chegar de Moabe nas terras dos Israelitas, Rute começa a colher espigas nos campos de Boaz para sustentar Noemi e a si mesma. Boaz percebe o caráter íntegro, de lealdade e fé da moabita Rute. Ele a protege e elogia, mostrando bondade e justiça: "Bem me foi contado tudo quanto fizeste à tua sogra, depois da morte de teu marido..." (Rt 2:11).
Boaz é parente de Elimeleque e, portanto, tem o direito e o dever de resgatar a herança da família e casar-se com a viúva (Rute), garantindo a preservação do nome e da propriedade.
Ele cumpre esse papel com integridade e respeito.
Boaz compra a terra de Elimeleque e pede formalmente para casar-se com Rute, observando a lei de Israel (Rt 4.1-10).

3.3 - A Recompensa de Rute e Noemi
Boaz resgata as Terras de Elimeleque para a viúva Noemi e também se casa com a viúva Rute, cumprindo seu papel de Remidor na integridade.
Boaz e Rute têm um filho chamado Obede, que será pai de Jessé e avô do rei Davi, e para finalizar, Rute, a moabita, se torna parte da genealogia de Jesus Cristo (Mt 1:5).

O papel de Boaz é um tipo (figura profética) de Jesus Cristo, nosso Redentor, vejamos um comparativo :



Comentário 
Pr. Éder Tomé

Referências

[1] Bíblia Sagrada (ARC) – Sociedade Bíblica do Brasil - 4° edição - 2009
[2] Bíblia Sagrada King Jones – Atualizada – Fiel aos Originais
[3] Bíblia Sagrada (NTLH) - Linguagem de Hoje
[4] Revista Betel Dominical Adultos - 4T - 2025