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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Lição 9 - A Triunidade Divina - O Pai e o Filho em Perfeita Harmonia Eterna

 

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Lei 9.610/98 (Direitos Autorais)

Nosso subsídio (comentário da lição) não é o mesmo conteúdo da revista Betel Dominical Adultos, é apenas um texto de auxílio complementar referente aos tópicos e subtópicos da lição

Introdução
Texto de Referência : 

João 5.19-20,22-23,26-27
19 - Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai, porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.
20 - Porque o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.
22 - E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo.
23 - Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.
26 - Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.
27 - E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.

1 - O Amor do Pai é visto no Filho
Veremos nesse tópico que o amor do Pai se revela de forma concreta e suprema na pessoa e na obra de Jesus Cristo, o Filho.

O amor do Pai não é apenas sentimento, mas se expressa em ação, Ele entregou o Filho: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (João 3:16).

Jesus é a revelação visível do amor e do caráter do Pai: "Quem vê a mim, vê o Pai" (João 14:9)

O amor do Pai se manifesta na cruz, em Cristo: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8)

Jesus é a prova viva do amor divino: "Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele" (1João 4:9-10)

1.1 - O Filho Unigênito de Deus

Jesus o Unigênito
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória como do Filho unigênito do Pai" (João 1:14)
O título "Filho Unigênito" é riquíssimo de significado e, de fato, foi central na reflexão teológica da Igreja. Na tradução tradicional traz o sentido de "Único Gerado" ou "Unigênito" do grego "Monogenês" que não significa simplesmente "gerado biologicamente", mas sim: o único Filho, singular, sem igual, diferente de qualquer outro.

Porque Jesus é chamado de "Filho Unigênito" ?
(a) Jesus é o Filho em um sentido único, que ninguém mais compartilha
(b) Nós podemos ser chamados "filhos de Deus" por adoção (João 1:12; Romanos 8:15), mas só Jesus é o Filho Unigênito, porque só Ele tem a mesma essência do Pai.
(c) Jesus é o único, eterno, consubstancial ao Pai 
(d) "Filho Unigênito" não é sobre criação, mas sobre natureza divina única.

Jesus o Primogênito
"Ele é a imagem de Deus invisível, o primogênito de toda a criação" (Cl 1:15)
Alguns grupos interpretam esse versículo como se Jesus fosse uma "criatura" criada por Deus Pai. Mas, olhando o contexto e a linguagem usada por Paulo, o sentido é mais profundo:

1. "Imagem de Deus invisível"
Jesus é chamado de imagem (no grego eikón), ou seja, a perfeita expressão e revelação de Deus. Ele não é apenas parecido com Deus, mas a própria manifestação de quem Deus é (João 14:9 diz "quem me vê a mim, vê o Pai"). Isso mostra que Jesus é da mesma natureza do Pai, não uma criatura inferior.

2. "Primogênito de toda a criação"
O termo "Primogênito" não significa necessariamente "o primeiro a ser criado", pode indicar posição de supremacia, honra e autoridade.
(a) Em Êxodo 4:22, Israel foi chamado de "meu filho primogênito", contudo, não foi o primeiro povo a ser criado.
(b) Em Salmo 89:27, Deus chama Davi de "meu primogênito, o mais excelso dos reis da terra", mesmo que Davi não fosse o primeiro filho de Jessé.

3. O Contexto de Colossenses 1:15
O próprio texto continua explicando:
"Pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra ... tudo foi criado por meio dEle e para Ele. Ele é antes de todas as coisas e que é nEle que tudo se mantém" (Cl 1:16-17).
Aqui fica evidente que Jesus não pode ser criatura, porque tudo foi criado por meio dEle. Se Ele fosse parte da criação, Paulo não poderia dizer que "todas as coisas" foram criadas por meio dEle.
Além disso, Paulo afirma que Jesus é antes de todas as coisas e que é nEle que tudo se mantém.

Conclusão
(1) "Primogênito da criação" não significa que Jesus foi criado, mas que Ele é o soberano sobre toda a criação, o herdeiro e Senhor dela.
(2) Jesus é eterno, preexistente e participante da obra da criação (João 1:1-3; Hebreus 1:2-3).
(3) Colossenses 1:15 afirma a supremacia e divindade de Cristo, não que Ele seja uma criatura.
(4) Jesus não é criatura do Pai, mas o Filho eterno, imagem perfeita de Deus e Senhor de toda a criação.

Tema de Debates Teológicos: Jesus Gerado ou Jesus Criado
Essa diferença entre Jesus "Gerado" e "Criado" foi um dos debates mais intensos da história da igreja, especialmente nos primeiros séculos do cristianismo.
Criado: significa que Jesus teve um início de existência, foi feito do nada pelo Pai, como todas as criaturas.
Gerado: significa no sentido teológico, que Jesus, o Filho, precede do Pai de maneira eterna, sem começo, compartilhando da mesma natureza. Jesus não foi criado (como os anjos, homens e animais), mas foi eternamente gerado pelo Pai. Isso significa que Ele sempre existiu, mas sua relação com o Pai é de "Filho Unigênito" (João 1:14,18).

1.  A Controvérsia Ariana
Ário (Presbítero de Alexandria) ensinava que o Filho foi criado pelo Pai antes de todas as coisas. Sua famosa frase era: "Houve um tempo em que o Filho não existia". Para Ário, Jesus era superior às criaturas, mas ainda assim não era Deus eterno.

2. Atanásio e o Concílio de Niceia (325 d.C)
No credo Niceno foi feito uma declaração para afastar a ideia de que Jesus fosse criatura: "Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial do Pai"

3. A Doutrina "Geração Eterna do Filho"
Os pais da Igreja (Atanásio, Basílio, Gregório de Nazianzo, Agostinho) desenvolveram a doutrina da "Geração Eterna do Filho' , a saber:
(a) O Pai é eternamente o Pai
(b) O Filho é eternamente o Filho
(c) Não existe um "antes" do Filho, porque a paternidade do Pai pressupõe a geração do Filho
(d) Essa geração não é um ato no tempo, mas uma realidade eterna da Trindade

Conclusão
(1) Podemos dizer que Jesus foi Gerado e não Criado
(2) Isso significa que Jesus compartilha da mesma essência divina do Pai, mas mantém sua identidade de Filho
(3) Esse foi um dos pontos centrais da formulação da doutrina da Trindade e da vitória da ortodoxia cristã sobre o arianismo.
(4) Jesus não é criatura, mas o Filho eterno, gerado do Pai desde a eternidade, consubstancial a Ele

Influência do Arianismo Antigo para Hoje
Como vimos o arianismo foi oficialmente condenado no Concílio de Niceia (325 d.C) e também no Concílio de Constantinopla (381 d.C), porém, suas ideias nunca desapareceram totalmente: foram retomadas em diferentes épocas da história em seitas que negavam a Trindade.

1. Testemunhas de Jeová
(1) Afirmam que Jesus é o Filho de Deus, mas não o Deus eterno
(2) Ensinam que Ele foi a primeira criatura criada por Jeová, identificando com o arcanjo Miguel
(3) Sua tradução da Bíblia (Tradução do Novo Mundo) traduz João 1:1 como "O Verbo era um deus"  (deus em letras minúsculas)
(4) Jesus não é Deus, mas criatura elevada
Essa posição das Testemunhas de Jeová é praticamente Ariana em essência.

2. Cristadelfianos
(1) Negam a Trindade e a preexistência de Cristo. 
(2) Ensinam que Jesus teve início em Maria, sendo um homem especial, mas não Deus eterno.

3. Unitarianos
Embora menos comuns hoje, tradições unitarianas ainda existem em alguns círculos. Negam a divindade plena de Cristo e entendem Jesus como mestre humano ou ser criado.

Conclusão
(1) A maioria esmagadora das igrejas cristãs históricas e evangélicas (católicos, ortodoxos, protestantes e pentecostais) crê que Jesus é Deus eterno, não criado, mas gerado.
(2) Mas grupos como Testemunhas de Jeová, Cristadelfianos e Unitarianos, são, sim, herdeiros modernos da teologia de Ário.

1.2 - A Vontade do Filho é a mesma do Pai

"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma ... Porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou" (João 5:30)
Através desse versículo podemos afirmar que a vontade do Filho está em perfeita harmonia com a vontade do Pai, mas precisamos entender bem em que sentido.

1. Jesus como homem obediente
(a) Na encarnação, o Filho assumiu voluntariamente a posição de servo (Fp 2:6-8)
(b) Isso significa, que, como homem, Jesus se submeteu à vontade do Pai em tudo
(c) Não porque tivesse vontade contrária, mas porque Sua missão era viver em perfeita obediência.

2. Unidade de Propósito
A vontade do Filho e do Pai estão em total acordo: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra" (João 4:34).

3. Na Trindade
(a) Pai e Filho compartilham da mesma essência divina, não podem ter vontades opostas
(b) O que o Pai deseja, o Filho também deseja, em perfeita unidade
(c) João 10:30 diz "Eu e o Pai somos um"

Conclusão
(a) Em natureza divina, a vontade do Filho é idêntica à do Pai
(b) Em sua humanidade, Jesus demonstrou obediência perfeita, não buscando interesse próprio, mas cumprindo a missão que o Pai lhe deu
(c) João 5:30 mostra tanto a humildade do Filho encarnado, quanto a unidade absoluta entre Pai e Filho

1.3 - O Filho foi enviado para fazer as Obras do Pai
"É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (João 9:4)
O versículo acima confirma que Jesus foi enviado para realizar as obras do Pai.
Sua missão, seus milagres, sua vida e morte não foram obra própria, mas expressão da vontade divina.
Isso também nos ensina que a Igreja contínua hoje a missão de Cristo, fazendo as obras do Pai em Seu nome (João 20:21)

2 - O Filho revela o Pai
Veremos neste tópico que O Filho revela o Pai, na Bíblia encontramos vários textos que nos dá base para essa afirmação, vejamos :

1. Jesus é a revelação visível do Deus invisível
"Ninguém jamais viu Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou" (João 1:18)
"Ele é a imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15)

2. Jesus é a expressão perfeita do Pai
"Quem me vê a mim, vê o Pai" (João 14:9)
"O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser" (Hebreus 1:3)

O que significa "revelar o Pai" ?
Significa que o Filho não apenas fala do Pai, mas torna o Pai conhecido. Significa que sem Jesus, o Pai permanece oculto, mas, em Jesus o Pai é plenamente revelado.
Jesus revelou o pai na encarnação (João 1:14), nos seus ensinos (João 12:49-50), nas suas obras e milagres (João 10:37-38), na cruz (João 3:16; Romanos 5:8).

2.1 - O Filho de Deus na Criação
Nosso comentarista da Revista mencionou vários versículos que confirma a doutrina cristã de que Jesus não apenas existiu antes de João Batista, mas também antes que o universo fosse criado, e que Ele participou ativamente da criação de tudo o que existe. Jesus é, portanto, o Filho de Deus, pessoa da Trindade, que existia desde a eternidade. Algumas bases bíblicas :
"Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez" (João 1:3)
"nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo" (Hebreus 1:2)
"Este é aquele de quem eu disse: O que vem após mim é antes de mim, porque era primeiro do que eu" (João 1:15)
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1)
"a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação ... Nele foram criadas todas as coisas ... todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele" (Colossenses 1:15-17) 

2.2 - O Filho de Deus é Divino
A Bíblia fornece uma base sólida para a crença de que Jesus é Deus e tem o mesmo grau de divindade que o Pai. Vários textos e passagens bíblicas apontam para essa verdade, quero destacar quatro :

Jesus é Deus Forte
"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado estará sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaias 9:6)
Vemos que um dos títulos proféticos dados a Jesus é "Deus forte". Este é um título que, no Antigo Testamento, é usado para se referir a Deus. 

Jesus é Senhor
"Se com a tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10:9)
O termo "Senhor" (em grego Kyrios) era usado para Deus no Antigo Testamento (a tradução grega de YMWH, o nome sagrado de Deus) quanto para Jesus no Novo Testamento. 
A atribuição deste título a Jesus o coloca no mesmo nível de divindade que o Pai.

Capacidade de Perdoar Pecados
Em Marcos 2:5-12, Jesus perdoa os pecados de um paralítico e, quando os escribas o questionam dizendo: "Quem pode perdoar pecados, senão Deus?", Jesus prova sua autoridade e poder ao curar o homem. Isso demonstra que Jesus tem a mesma autoridade divina para perdoar pecados que o Pai.

Jesus aceita ser adorado como Deus
A Bíblia mostra que Jesus recebe adoração, o que é reservado apenas para Deus.
Adoração de Tomé: Em João 20:28, o discípulo Tomé, ao ver as feridas de Jesus ressuscitado, o declara: "Senhor meu, e Deus meu!". Jesus não o repreende por essa afirmação, mas a aceita.
Adoração dos anjos: Hebreus 1:6 diz que os anjos de Deus "O adorem". A adoração dos anjos a Jesus demonstra seu grau de divindade, pois a Bíblia proíbe a adoração de qualquer ser que não seja Deus.

Esses e outros versículos e temas bíblicos são a base da crença na divindade de Jesus e na sua igualdade com o Pai, uma das doutrinas centrais do cristianismo.

2.3 - O Filho de Deus é Eterno
A Bíblia fornece uma base sólida para a crença de que Jesus é Eterno. Vários textos e passagens bíblicas apontam para essa verdade, vejamos alguns :

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). Este versículo aponta para uma existência de Jesus que precede a criação, indicando que o Verbo (Jesus) já existia. Ele não foi criado, mas existia em união com Deus Pai desde a eternidade.

Jesus diz: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" (Apocalipse 22:13). Ele se identifica com o título de eternidade de Deus.

"Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje e eternamente" (Hebreus 13:8). Este versículo afirma de maneira direta e inequívoca a natureza imutável e eterna de Jesus, contrastando-o com a transitoriedade das coisas terrenas.

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado estará sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaias 9:6). Aqui o profeta Isaías o chama de "Pai da Eternidade", indicando uma natureza eterna.

"Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, Eu Sou" (João 8:58). O uso da expressão "Eu Sou" remete diretamente a Êxodo 3:14, onde Deus se revela a Moisés com o nome "Eu Sou o que Sou". Ao usar este título, Jesus afirma sua divindade e sua existência eterna, anterior a Abraão. Os judeus entenderam a implicação e tentaram apedrejá-lo por blasfêmia.

Jesus em oração diz: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse" (João 17:5). Jesus fala sobre a glória que compartilhava com o Pai antes da criação do universo,  o que confirma sua preexistência, eternidade e sua natureza divina

3 - Pai e Filhos são Iguais

3.1 - O Filho de Deus é Onipotente
A Bíblia sustenta a crença de que Jesus é onipotente, ou seja, tem todo o poder. A onipotência é um dos atributos exclusivos de Deus, e vários versículos e narrativas bíblicas demonstram que Jesus possui esse poder ilimitado.

1. O Poder de Jesus Sobre a Natureza
Jesus demonstrou seu poder sobre o mundo físico, um poder que pertence somente ao Criador.
(a) Acalmando a Tempestade: Em Mateus 28:20, Ele apenas ordenou ao vento e ao mar que se acalmassem, e eles obedeceram imediatamente. Isso demonstra que a natureza está sujeita à sua autoridade.
(b) Multiplicação de Pães e Peixes: Em Mateus 14:13-21, Jesus alimentou uma multidão de cinco mil homens (Além de mulheres e crianças) com apenas cinco pães e dois peixes. Ele demonstrou um poder que transcende as leis da física.
(c) Caminhando sobre a água: A capacidade de andar sobre a água em Mateus 14:25, é outra demonstração do seu poder de dominar a natureza, algo que só pode ser feito por uma força superior.

2. O Poder de Jesus Sobre a Doença e a Morte.
O poder de Jesus se estende a áreas que estão completamente fora do controle humano.
(a) Curando Doenças: Os Evangelhos estão repletos de relatos de curas instantâneas e completas realizadas por Jesus. Ele curou cegos, leprosos, paralíticos e muitos outros, muitas vezes com uma simples palavra ou toque (Mateus 8:16-17)
(b) Ressurreição de Lázaro: Em João 11:43-44, Jesus ressuscitou Lázaro, que estava morto há quatro dias. A declaração de Jesus: "Lázaro, vem para fora!", demonstrou o seu poder absoluto sobre a morte, um poder que pertence somente a Deus (1Tm 6:15-16).

3. O Poder de Jesus Sobre o Pecado e as Trevas
O poder mais significativo de Jesus é o seu domínio sobre o reino espiritual.
(a) Perdoando pecados: Em Marcos 2:5-12, Jesus perdoa os pecados de um paralítico e, quando questionado, prova sua autoridade ao curar o homem. Isso mostra que Ele tem o poder de perdoar pecados, algo que pertence somente a Deus.
(b) Expulsando Demônios: Jesus demonstrou poder absoluto sobre os demônios, expulsando-os com uma única palavra, como vemos em Lucas 4:33-36. Os próprios demônios o reconheceram como "o Santo de Deus" (Lucas 4:34)
(c) Autoridade Final: A Bíblia afirma que "toda a autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mateus 28:18). Esta declaração de Jesus ressuscitado não deixa dúvidas sobre o seu poder ilimitado e total sobre toda a criação.

3.2 - O Filho de Deus é Onipresente
A onipresença de Jesus é um conceito teológico, aqui estão algumas passagens e temas bíblicos que fundamentam que Jesus é detentor desse Atributo divino :

1. A Grande Comissão
Jesus afirma sua presença em todos os lugares quando diz : "E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20). A Onipresença é uma atributo exclusivo de Deus. Essa promessa de estar "convosco todos os dias" implica uma presença que transcende tempo e espaço, o que é uma manifestação da onipresença.

2. A Trindade e a Unidade com o Pai.
A Bíblia ensina que Jesus é uma pessoa da Trindade e que Ele é um com o Pai. Como Deus, o Pai é onipresente, e por Jesus ser da mesma natureza divina, Ele também compartilha desse atributo.
Em João 10:30, Jesus declara: "Eu e o Pai somos um"
Em João 14:9, Ele diz: "Quem me vê a mim, vê o pai"

3. A presença de Jesus entre os Crentes
Jesus também promete sua presença em contextos de adoração e comunidade.
"Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20).
Essa promessa não se restringe a um lugar ou grupo específico. Ela se aplica a qualquer reunião de crentes, em qualquer parte do mundo, ao mesmo tempo. Isso só é possível por meio de sua onipresença.

4. Jesus em Todo o Universo
A Bíblia também descreve o papel de Jesus na criação e sustentação do universo, o que requer uma presença que vai além de um único ponto no espaço.
"Ele é antes de todas as coisas, e nEle tudo subsiste" (Cl 1:17).
Para que todas as coisas subsistam ou se mantenham em existência em Cristo, Ele deve estar presente e ativo em cada parte do universo. 

3.3 - O Filho de Deus é Onisciente
A onisciência de Jesus, ou seja, o seu conhecimento de todas as coisas, é um conceito central na teologia cristã e pode ser sustentado por várias passagens bíblicas. Aqui estão algumas das principais bases bíblicas que provam a onisciência de Jesus:

1. Conhecimento dos Pensamentos e Corações Humanos
Diversos evangelhos mostram Jesus conhecendo os pensamentos e as intenções secretas das pessoas, algo que somente Deus pode fazer.
"Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais o mal em vossos corações?" (Mateus 9:4)
"Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque conhecia a todos. E não precisava que alguém lhe desse testemunho do homem, porque bem sabia o que havia no homem" (João 2:24-25)
"E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que eles assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações?" (Marcos 2:8).

2. Conhecimento do futuro e Eventos Ocultos
Jesus demonstrou um conhecimento detalhado de eventos que ainda não haviam acontecido, confirmando a sua capacidade de ver alguém do tempo presente.
Jesus previu a negação de Pedro antes que o galo cantasse duas vezes: "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes" (Mateus 26:34).
Jesus instruiu seus discípulos sobre como encontrar o lugar para a Páscoa, descrevendo com precisão os eventos que eles encontrariam: "E Ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo, mobiliado; ali fazei os preparativos" (Lucas 22: 10-12). Jesus também previu a destruição do Templo de Jerusalém, sua própria morte e ressurreição, e até mesmo a traição de Judas.

3. Conhecimento da Vida Pessoal das pessoas
Em várias ocasiões, Jesus revelou um conhecimento íntimo sobre a vida de indivíduos que acabara de conhecer.
Jesus revelou a uma mulher samaritana que ela teve cinco maridos e que o atual não era seu, o que a deixou espantada com o seu conhecimento sobrenatural: "A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade" (João 4:17-18).
Antes de Natanael se aproximar, Jesus disse sobre ele: "Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo: Natanael perguntou como ele o conhecia, e Jesus respondeu: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi, quanto estava debaixo da figueira" (João 1:47-48). 

A onisciência é um atributo exclusivo de Deus. Como a Bíblia ensina que Jesus é o Verbo que se fez carne (João 1:1,14) e que Ele é um com o Pai (João 10:30), Ele, por sua natureza divina, também possui esse atributo: "... Deus é maior do que o nosso coração, e conhece todas as coisas" (1João 3:20).


Comentário 
Pr. Éder Tomé

Referências

[1] Bíblia Sagrada (ARC) – Sociedade Bíblica do Brasil - 4° edição - 2009
[2] Bíblia Sagrada King Jones – Atualizada – Fiel aos Originais
[3] Bíblia Sagrada (NTLH) - Linguagem de Hoje
[4] Revista Betel Dominical Adultos - 3T - 2025 

sábado, 16 de agosto de 2025

Lição 8 - Jesus e a Mulher Adúltera - A Manifestação da Graça em Meio a Condenação

 

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Lei 9.610/98 (Direitos Autorais)

Nosso subsídio (comentário da lição) não é o mesmo conteúdo da revista Betel Dominical Adultos, é apenas um texto de auxílio complementar referente aos tópicos e subtópicos da lição

Introdução
Texto de Referência : 

João 8.4-11
4 - E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.
5 - E, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?
6 - Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.
7 - E, como, insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.
10 - E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11 - E ela disse: Ninguém,  Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

1 - O Adultério: Um pecado com Consequências e Feridas Profundas
"O Casamento deve ser honrado por todos; e o leito conjugal, mantido puro. Porque Deus julgará os imorais e os adúlteros" (Hebreus 13.4)
O "leito conjugal" é uma referência à intimidade sexual dentro do casamento. A pureza desse leito significa que a relação sexual deve ser exclusiva entre o marido e a mulher. Essa exclusividade protege a união e aprofunda a confiança e a intimidade do casal. A infidelidade, em qualquer de suas formas, contamina essa pureza.
O fato de o adultério ser mencionado ao lado da imoralidade sexual mostra que o autor de Hebreus o coloca na mesma categoria de pecado grave. Essa passagem defende a santidade e a exclusividade do casamento, e qualquer ato que viole essa aliança é considerado impuro e, portanto, pecaminoso.
"Deus julgará os imorais e os adúlteros": A palavra "julgará" aqui não se refere a um simples julgamento humano, mas sim a um juízo divino.

"Mas o que comete adultério com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a própria alma" (Pv 6:32)
O livro de Provérbios, em seu capítulo 6, dedica uma seção inteira (versículos 20-35) para advertir contra a imoralidade sexual e o adultério. O Versículo acima, em particular, resume a gravidade desse pecado de forma contundente. Essa passagem revela dois pontos cruciais sobre o adultério:

1. É um Ato de Insensatez
A expressão "falto de entendimento" significa que a pessoa age de forma tola e irracional. O adultério é um pecado que promete prazer momentâneo, mas leva à destruição duradoura. O autor de Provérbios compara o adúltero a alguém que, em vez de ser sábio e prever as consequências, age por impulso e com total falta de discernimento. Ele está trocando algo de valor inestimável (a honra, a paz, a família) por um prazer passageiro.

2. É Autodestrutivo
A frase "destrói a própria alma" é a parte mais forte do versículo. isso vai muito além de perder a reputação ou a confiança de outras pessoas. A palavra hebraica para "destruir" é Shâchath que significa "corromper", "arruinar" ou "estragar". O adultério, portanto, não é apenas um pecado contra o cônjuge, mas um ato que causa um dano profundo e permanente no próprio ser do adúltero. Ele corrompe o seu caráter e compromete sua vida espiritual. A destruição aqui tem várias camadas:

(a) Destruição da reputação
O adúltero sobre "vergonha e humilhação que jamais se apagará" (Pv 6:33)

(b) Destruição dos relacionamentos
O pecado pode levar a um divórcio, à perda da família e à ira do cônjuge traído, que "não perdoará no dia da vingança" (Pv 6:34-35)

(c) Destruição da vida espiritual
Ao se afastar da pureza e dos caminhos de Deus, o adúltero causa uma separação entre ele e o Criador, ponto em risco a sua salvação.

Adultério no Antigo Testamento
"Se um homem for encontrado deitado com uma mulher que tem marido, ambos, o homem e a mulher, deverão morrer. Desse modo, vocês eliminarão o mal do meio de Israel" (Dt 22:22).
O pecado no Antigo Testamento era tratado com a pena de morte. Essa lei era parte do código mosaico, que visava estabelecer e manter a santidade e a pureza da nação de Israel, que era considerada o povo escolhido de Deus. A penalidade rigorosa para o adultério tinha múltiplos propósitos: Proteger a santidade do casamento, Preservar a pureza da comunidade e Garantir a legitimidade da linhagem.

Adultério nos dias Atuais
Biblicamente, o adultério continua sendo um pecado diante de Deus e, na maioria das culturas, é visto como uma séria traição e uma ofensa moral e social. 
A visão de Deus sobre o adultério não mudou. Ela é consistente em toda a Bíblia, do Antigo ao Novo Testamento. 

1.1 - Reconhecendo o Adultério
A palavra adultério vem do latim adulterium, que significa "infidelidade" ou "falsificação". A definição mais comum e tradicional para adultério é a relação sexual voluntária de uma pessoas casada com alguém que não é seu cônjuge.
É um termo usado para descrever a quebra da fidelidade e dos votos de exclusividade dentro do casamento.

Moicheia
A palavra adultério, do grego Moicheia, refere à infidelidade sexual de uma pessoa casada. Quando a Bíblia fala sobre o ato de um homem casado se envolver com uma mulher que não é sua esposa, ou vice-versa, a palavra usada é Moicheia ou seu verbo correspondente, Moichao. O termo carrega o peso da quebra de uma aliança matrimonial sagrada e é o termo mais exato para o que entendemos como adultério.

Porneia
Essa palavra grega tem significado muito mais amplo e genérico, referindo-se a qualquer tipo de imoralidade sexual. Porneia abrange uma gama de pecados, incluindo fornicação (sexo antes do casamento), prostituição, incesto, homossexualidade e, em alguns contextos, também pode incluir o adultério.

1.2 - O Adultério afronta o Criador
Como já vimos anteriormente, tanto no AT como no NT, o adultério é um pecado que afronta ao nosso Deus.
Jesus não diminuiu a seriedade do adultério. Pelo contrário, Ele a aprofundou. Em Mateus 5, Ele ensinou que o pecado não está apenas no ato físico, mas começa no coração. Ele disse: "Eu, porém, vos digo que qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura no coração, já cometeu adultério com ela em seu coração" (Mt 5:28).

O apóstolo Paulo ensinou uma verdade muito clara e séria sobre a salvação e o Reino de Deus: "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros (...) herdarão o Reino de Deus" (1Co 6:9-10). 
A principal lição aqui é que a prática contínua e não arrependida desses pecados, incluindo o adultério, é incompatível com a vida cristã e com a participação no Reino de Deus.
Paulo coloca os adúlteros na mesma lista dos devassos e idólatras para mostrar que o pecado de adultério não é um pecado menor. Ele tem consequências espirituais eternas e impede a pessoa de herdar o Reino de Deus. A herança aqui não é apenas um lugar no céu, mas a plena participação no plano de salvação de Deus.

Por que o Pecado de Adultério afronta ao Criador ?
O adultério é considerado uma afronta ao Criador por ser uma violação direta de princípios e alianças que Ele mesmo estabeleceu. Mais do que uma simples traição a uma pessoa, é uma quebra de promessa feitas a Deus e uma profanação de algo que Ele considera sagrado. Afronta a Deus porque :
1. Viola a Aliança do Casamento (Gn 2:24)
2. Desrespeita os Mandamentos Divinos (Êx 20:14)
3. Contamina o Templo do Espírito Santo (1Co 6:19)
4. Demonstra Falta de sabedoria Divina (Pv 6:32)

1.3 - O Sexo foi criado por Deus
"Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2:24)
Aqui, Deus instituiu o casamento assegurando o relacionamento sexual do casal. O sexo é a expressão mais profunda da união de "uma só carne" que Deus designou para o casamento. O homem e a mulher se unem para se tornar uma só carne. O ato sexual não é apenas uma união física; é um ato que reflete a conexão emocional, espiritual e mental do casal.

2 - Perdoador ou Acusador?
"E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e, pondo-a no meio" (João 8:3)
Essa passagem faz parte de um dos episódios mais conhecidos e impactantes do Evangelho: a história da mulher apanhada em adultério.
O capítulo 8 de João começa com Jesus no Templo de Jerusalém, ensinando o povo. Ele estava sentado, e uma multidão se reunia para ouvi-lo. De repente, a cena é interrompida pela chegada de um grupo de escribas e fariseus que trazem uma mulher.
O objetivo dos escribas e fariseus não era fazer justiça de acordo com a lei de Moisés. A lei, na verdade, determinava que tanto o homem quanto a mulher deveriam ser apedrejados. O fato de terem trazido apenas a mulher já revela a sua hipocrisia e parcialidade.
Eles estavam usando a mulher como isca para prender Jesus em uma armadilha, busca um motivo para acusá-lo.

Satanás, o Acusador
A Bíblia descreve Satanás como o acusador e também sugere que ele usa as pessoas para espalhar a divisão através de acusações.
A Bíblia se refere a Satanás com vários nomes, e um dos mais significativos é o de "acusador". Essa característica é claramente mencionada em passagens como Apocalipse 12:10, que o descreve como "o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite diante do nosso Deus".
Paulo faz uma advertência séria e direta à igreja em Roma. Paulo instrui a comunidade a identificar e reconhecer as pessoas que estão causando divisões e escândalos: "Rogo-vos, irmãos, que tomeis nota daqueles que causam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; e que vos afasteis deles" (Rm 16:17).

2.1 - A Malícia dos Acusadores
"E, na lei, nos ordenou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? (João 8:5)
Um grupo de escribas e fariseus, trazem um mulher pega em adultério até Jesus, não para que fosse julgada de acordo com a lei, mas sim para armar uma cilada para Jesus. A malícia deles se manifesta de forma clara em pelo menos três pontos:

1. A Seletividade e o Conhecimento da Lei
Os acusadores citam a lei de Moisés de Levítico 20:10 e Deuteronômio 22:22, que de fato prescrevia a pena de morte para o adultério. No entanto, a lei exigia que ambos os adúlteros fossem levados para o julgamento: o homem e a mulher. O fato de eles terem trazidos apenas a mulher demonstra que a intenção não era aplicar a lei de maneira justa, mas apenas usar a situação para manipular a Jesus. Onde estava o homem? O silêncio deles sobre isso já revela a má-fé. 

2. O motivo Oculto
O versículo 6 de João 8 revela a verdadeira intenção por trás da pergunta: "isso diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar". Eles colocaram Jesus em um dilema:
(a) Se Jesus dissesse "SIM" para o apedrejamento, ele iria contra a sua própria mensagem de graça e perdão. Além disso, estaria se colocando contra a autoridade romana, que na época detinha o poder de executar a pena de morte.
(b) Se Jesus dissesse "NÃO" para o apedrejamento, eles poderiam acusá-lo de desrespeitar a lei de Moisés, o que era um crime grave na época.
Perceba que o objetivo deles não era sobre a justiça e lei, mas sobre encontrar uma falha em Jesus para desacreditá-lo diante do povo e das autoridades. A mulher era apenas um peça desse jogo.

3. A Falta de Misericórdia e Humanidade
A forma como eles tratam a mulher demonstra uma total falta de compaixão. Eles arrastam aquela mulher para o meio da multidão, a expõem publicamente e a usam como um objeto. Não se preocupam com a sua dignidade ou sua vida. O foco está apenas em seu próprio plano de derrubar Jesus. 

2.2 - Jesus ignora os Acusadores
"E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivesses de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra" (João 8:5-6)
Esse é um dos momentos mais enigmáticos e estudados dos Evangelhos. Embora a Bíblia não revele o que Jesus escreveu, o ato em si é carregado de significado e pode ser interpretado de diversas formas. É certo que nesta cena, Jesus não ignora os escribas e fariseus no sentido de desprezo, Ele não queria entrar  no jogo de armadilha deles; o que Jesus fez foi ignorar a pressão deles para mostrar que não estava sujeito à manipulação.
Em seus ensinamentos e ações, Jesus nunca demonstrou ignorar ou desprezar pessoas ou grupos por causa de sua condição social, religiosa, étnica, moral ou de saúde. É importante notar a diferença entre ignorar (desprezar) e criticar. Embora Jesus não desprezasse as pessoas, ele frequentemente repreendia com dureza a hipocrisia e o orgulho dos líderes religiosos, como os fariseus e escribas. Ele os criticava porque eles criavam regras pesadas para as pessoas, mas não as seguiam, e por se preocuparem mais com as aparências e rituais externos do que a justiça, a misericórdia e a fidelidade a Deus.
Portanto, ao se inclinar e escrever no chão, Jesus cria um silêncio que desarma a pressão e desloca o foco da acusação. Aqui estão algumas das interpretações mais aceitas sobre esse ato de Jesus :

1. Uma Pausa para Desarmar a Armadilha
Os acusadores vieram com um plano bem definido, e a pressão era enorme. Ao se inclinar, Jesus criou uma pausa dramática. Ele quebrou a tensão e inverteu a dinâmica do poder. Em vez de reagir impulsivamente, Ele forçou os escribas e fariseus a esperar. Esse silêncio inesperado e o ato incomum de escrever no chão mostraram que Ele não estava intimidado pela acusação. Foi uma forma de tomar o controle da situação.

2. Cumprimento de Profecias
Alguns teólogos sugerem que Jesus estava se referindo a uma passagem do Antigo Testamento, mas especificamente: "Ó Senhor, esperança de Israel, todos aqueles que te abandonam, serão envergonhados; aqueles que se desviam de mim serão escritos no pó, porque abandonaram o Senhor, a fonte de águas vivas" (Jeremias 17:13).
De acordo com essa interpretação, ao escrever no pó, Jesus estaria simbolicamente "escrevendo" a culpa e a hipocrisia dos acusadores, lembrando-os de que eles, que O haviam rejeitado, seriam julgados por suas próprias ações. A própria lei que eles usavam para condenar a mulher seria a mesma que os condenaria.

3. Evidência da Divindade
Outra interpretação fascinante é que o ato de escrever na terra ecoa a imagem de Deus escrevendo a Lei com o próprio dedo nas tábuas de pedra no Monte Sinai (Êxodo 31:18). Ao fazer isso, Jesus estava se identificando sutilmente com o próprio legislador, mostrando que Ele tinha autoridade para interpretar e até mesmo "re-escrever" a lei. Ele era o fonte da lei, não apenas alguém sujeito a ela.

4. Uma Declaração de Misericórdia e Graça
Finalmente, o ato de escrever na terra pode ser visto como um reflexo de misericórdia. Em vez de confrontá-lo imediatamente, Jesus deu aos acusadores um momento para reconsiderar suas próprias vidas. 

2.3 - O Advogado Fiel
Diante do dilema em que os escribas e fariseus colocaram Jesus, Ele se inclina e escreve na terra, e proferi a famosa frase "Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra contra ela" (João 8:7), expondo a hipocrisia e a malícia de seus corações. Eles não eram justos, mas cheios de pecado, e o apedrejamento da mulher serviria apenas como uma desculpa para esconder suas próprias falhas e injustiças.

Atuando como um Advogado Fiel, Jesus os estava desafiando a olhar para suas próprias falhas antes de julgar a mulher. Quando finalmente se levantou, Sua resposta foi direta e devastadora: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra" (João 8:7). A escrita no chão serviu de prefácio para essa declaração poderosa, que expôs a hipocrisia deles e os forçou a se retirarem.

3 - Jesus nos Ensina a Perdoar

3.1 - Perdão, uma Expressão de Amor
"Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?" (João 8:11)
Esse versículo conclui a história da mulher apanhada em adultério, é uma das mais poderosas expressões do perdão de Jesus e, por extensão, do amor de Deus. A resposta é um ressonante "sim". Jesus não apenas perdoou a mulher, mas fez isso de maneira que demonstra a natureza do amor divino: que é incondicional, redentor e libertador. A cena se desenrola assim:

1. A partida dos acusadores
Após a desafiadora frase de Jesus, "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra" os acusadores se retiram, um a um. Isso deixa Jesus sozinho com a mulher, que antes estava no centro de um círculo de julgamento e ódio.

2. O diálogo de Jesus
"E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?" (João 8:10)
Jesus questiona a mulher, não para humilhá-la, mas para que ela perceba sua própria situação. Ela Responde : "Ninguém, Senhor" (João 8:11).

3.2 - Perdoados e Perdoando
"... Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." (João 8:11)
Essa declaração de Jesus é uma manifestação de amor de diversas maneiras:

1. É um Perdão Incondicional
Jesus não impôs uma penitência ou exigiu que ela "ganhasse" o perdão. Ele simplesmente o concedeu. Ele viu a mulher, não seu pecado. Seu amor foi a resposta à sua vulnerabilidade e à sua situação desesperadora.

2. É um Perdão Redentor
O perdão de Jesus não é um aval para o pecado. A frase "vai, e não peques mais" mostra que o perdão não anula a seriedade da transgressão, mas oferece uma oportunidade de mudança e redenção. O amor de Jesus não a deixou onde ela estava, mas a empoderou para um novo começo. Ele a libertou do seu passado para que ela pudesse construir um futuro diferente.

3. É um Perdão que Liberta
O perdão de Jesus rompe as cadeias do medo, da vergonha e da condenação. Ele a libertou do julgamento cruel dos outros e do seu próprio peso de culpa. O amor expresso neste perdão não é apenas um sentimento, mas uma força transformadora que devolve a dignidade.

3.3 - Compreendendo o Perdão
A história dessa mulher relatada em João 8 mostra que Jesus aniquila o plano malicioso dos escribas e fariseus, estende o perdão a mulher adúltera sem descumprir a Lei e nos ensina a compreender o Perdão como um ato de misericórdia e compaixão; se recebemos do Senhor o perdão, devemos estender esse ato aos nossos semelhantes.


Comentário 
Pr. Éder Tomé

Referências

[1] Bíblia Sagrada (ARC) – Sociedade Bíblica do Brasil - 4° edição - 2009
[2] Bíblia Sagrada King Jones – Atualizada – Fiel aos Originais
[3] Bíblia Sagrada (NTLH) - Linguagem de Hoje
[4] Revista Betel Dominical Adultos - 3T - 2025